estilo pessoal vai muito além de escolher uma roupa bonita antes de sair de casa. As peças que você usa, as combinações que faz e até aquilo que decide repetir podem dizer alguma coisa sobre quem você é, o que valoriza e como gosta de ocupar os espaços.
por isso, construir um estilo autoral não significa encontrar uma fórmula pronta ou seguir um determinado padrão de moda. Significa perceber suas próprias referências e transformar parte delas em escolhas visuais que façam sentido para a sua vida.
estilo autoral não é criar um personagem
quando falamos em estilo, é comum pensar em categorias: clássico, casual, esportivo, moderno, minimalista. Essas classificações podem ajudar a organizar referências, mas dificilmente conseguem explicar uma pessoa inteira.
você pode gostar de alfaiataria e, ao mesmo tempo, usar tênis quase todos os dias. Pode preferir roupas discretas e ter uma coleção de relógios marcantes. Pode trabalhar em um ambiente formal e reservar as peças mais criativas para os momentos de lazer.
o estilo autoral aparece justamente nessas combinações.
mais do que escolher uma estética e tentar segui-la à risca, trata-se de construir uma linguagem visual que tenha alguma coerência com a sua personalidade, sua rotina e suas referências.
comece olhando para você, não para o guarda-roupa
antes de pensar em comprar novas peças, vale observar quem está por trás das roupas.
como é a sua rotina? Você passa boa parte do dia em um escritório ou trabalha de maneira mais informal? Sai bastante à noite? Prefere passar o fim de semana em casa, viajar, praticar esportes ou encontrar amigos?
essas respostas importam porque estilo também precisa funcionar na vida real.
depois, pense no que você valoriza. Talvez praticidade seja importante. Talvez você goste de peças bem construídas, de materiais naturais, de referências vintage ou de uma aparência mais contemporânea. Talvez queira transmitir discrição, criatividade, segurança ou simplesmente se sentir confortável.
não existe resposta certa. O ponto é entender quais escolhas fazem sentido para você.
observe aquilo que você já escolhe naturalmente
uma boa maneira de começar a encontrar seu estilo autoral é prestar atenção ao que você já faz sem pensar muito.
abra o guarda-roupa e procure padrões.
quais cores aparecem mais? Quais peças você usa repetidamente? Existem determinados cortes ou tecidos que fazem você se sentir melhor? Você sempre escolhe o mesmo tipo de sapato? Existe algum acessório que quase nunca sai de você?
essas repetições são pistas.
talvez você descubra que, apesar de comprar roupas diferentes, sempre volta para camisas de tons neutros. Ou que gosta de peças básicas, mas prefere acessórios mais marcantes. Ou ainda que seu guarda-roupa inteiro gira em torno de poucas cores.
seu estilo pode já estar ali. Você só ainda não tinha parado para observá-lo.

gostou da combinação da imagem acima? Confira esses produtos na PIPO:
- camiseta: t-shirt Gola Alta Velare
- sapato: Sneaker Brooklyn
- acessório: colar Toten
transforme personalidade em escolhas visuais
personalidade não se traduz em uma única peça. Ela pode aparecer em pequenos detalhes e, principalmente, na maneira como diferentes elementos são combinados.
alguém que valoriza praticidade pode preferir roupas funcionais e fáceis de combinar. Uma pessoa criativa pode encontrar espaço para experimentar texturas, proporções e cores. Quem gosta de referências clássicas pode construir sua identidade a partir de peças atemporais.
mas isso não significa que cada personalidade precise seguir um determinado código de vestimenta.
uma pessoa discreta pode ter um estilo extremamente sofisticado. Alguém criativo pode se vestir quase sempre de preto. Um homem que gosta de tradição pode incorporar elementos contemporâneos ao próprio visual.
o interessante está justamente em descobrir como aquilo que você valoriza aparece nas suas escolhas.
encontre suas assinaturas
alguns homens constroem sua identidade visual a partir de elementos que aparecem repetidamente.
pode ser uma determinada cor, um modelo de óculos, um relógio, um anel, uma jaqueta, uma camisa ou até uma maneira específica de usar determinada peça.
essas escolhas funcionam como assinaturas.
não precisam chamar atenção. Na verdade, muitas vezes são detalhes que outras pessoas só percebem depois de algum tempo.
uma assinatura de estilo também pode estar na combinação. Talvez você goste de misturar peças formais com elementos casuais. Ou prefira sempre trabalhar com uma paleta reduzida. Ou tenha o hábito de usar determinada peça de uma maneira que foge um pouco do convencional.
não é sobre repetir um uniforme. É sobre perceber aquilo que faz você se reconhecer no espelho.
use tendências como referência, não como obrigação
acompanhar moda pode ser divertido e ampliar o repertório. O problema começa quando toda tendência passa a parecer uma necessidade.
uma tendência pode funcionar muito bem para você e outra pode simplesmente não fazer sentido. Isso não significa que você esteja “fora de moda”. Significa que você está fazendo uma escolha.
antes de incorporar alguma novidade, experimente perguntar:
- eu realmente gosto disso ou apenas estou vendo isso em todos os lugares?
- essa peça conversa com o que eu já tenho?
- eu consigo imaginar usando isso daqui a algum tempo?
- isso acrescenta alguma coisa ao meu estilo?
essas perguntas ajudam a transformar consumo em escolha.

gostou da combinação da imagem acima? Confira esses produtos na PIPO:
- sapato: Loafer San Diego
- acessório: colar Bússola
caimento também faz parte da identidade
uma roupa pode ser excelente, mas ainda assim não funcionar para você.
o tecido, a construção e a qualidade são importantes, mas o caimento tem um papel fundamental na maneira como uma peça se apresenta no corpo.
uma camisa pode ser interessante na arara e não funcionar para a sua proporção. Uma calça pode ter uma ótima aparência no modelo da campanha e ficar completamente diferente em você.
por isso, conhecer o próprio corpo e entender quais modelagens fazem você se sentir bem também é uma forma de construir estilo.
não se trata de esconder ou corrigir o corpo. Trata-se de entender como as roupas se relacionam com ele.
construa um guarda-roupa que converse entre si
estilo autoral não depende de ter muitas roupas. Muitas vezes, ele aparece com mais clareza quando existe uma relação entre as peças que você possui.
uma boa pergunta antes de comprar pode ser: com quantas coisas que já tenho essa peça conversa?
quando as escolhas começam a fazer sentido entre si, fica mais fácil criar combinações e também perceber o que realmente está faltando.
isso ajuda a diminuir aquelas compras que parecem interessantes individualmente, mas acabam esquecidas no armário.
um guarda-roupa autoral não precisa ser grande. Precisa fazer sentido para quem o usa.
seu estilo pode mudar — e isso também faz parte
uma das armadilhas de tentar construir um estilo é imaginar que, depois de encontrá-lo, você precisa mantê-lo para sempre.
não precisa.
você muda de trabalho, conhece lugares diferentes, descobre novas referências, envelhece, experimenta outras atividades e passa a enxergar algumas coisas de maneira diferente.
é natural que isso apareça na forma de se vestir.
ter estilo autoral não significa permanecer igual. Significa conseguir incorporar mudanças sem perder completamente a sensação de que aquelas escolhas continuam sendo suas.

gostou da combinação da imagem acima? Confira esses produtos na PIPO:
- camiseta: Henley algodão egípcio
- sapato: Chukka Montreal
- acessório: pulseira Knot
um exercício para começar a descobrir seu estilo
se você quiser transformar essa reflexão em algo prático, experimente fazer um pequeno exercício.
1. escolha cinco características que você gostaria que seu estilo transmitisse
podem ser palavras como confortável, sofisticado, criativo, discreto, contemporâneo, autêntico, elegante ou descontraído.
2. escolha cinco referências visuais que você realmente admira
podem ser pessoas, filmes, personagens, artistas, lugares, décadas, marcas ou simplesmente imagens encontradas por aí.
3. escolha cinco peças que você mais gosta de usar
não pense nas peças que você acha que deveria usar. Escolha aquelas que realmente fazem você se sentir bem.
4. procure os padrões
quais cores aparecem? Quais materiais? Quais proporções? O que existe em comum entre essas referências?
5. escolha três palavras para definir sua direção
elas não precisam representar perfeitamente quem você é. Podem representar o que você quer expressar por meio do seu estilo.
a partir daí, você começa a ter uma espécie de bússola. Não uma regra.
no fim, estilo é uma forma de presença
construir um estilo autoral não significa fazer com que todo mundo olhe para você. Também não significa estar sempre bem vestido segundo algum padrão externo.
talvez seja algo mais simples: olhar para o que você está usando e reconhecer alguma coisa de si mesmo ali.
uma cor que você gosta. Uma peça que acompanha sua história. Um relógio que ganhou significado. Uma combinação que só surgiu porque você resolveu experimentar.
estilo pode ser tendência, estética, roupa e consumo. Mas também pode ser memória, personalidade e expressão.
e talvez a pergunta mais interessante não seja “qual é o meu estilo?”, mas:
“o que as minhas escolhas dizem sobre mim?”




Deixe um comentário